Onboarding Inclusivo para Engenheiros de Software com Autismo

A área de Engenharia de Software tem testemunhado um crescimento notável na inclusão de profissionais com autismo, cujas competências como raciocínio lógico, atenção a detalhes e hiperfoco se alinham fortemente às demandas técnicas para a produção de software. Este alinhamento natural, no entanto, contrasta com um cenário corporativo que ainda luta para se adaptar. As dinâmicas de trabalho colaborativo e as metodologias ágeis, que são padrão na indústria, criam um ambiente complexo onde a neurodiversidade, embora reconhecida como uma vantagem, introduz variáveis que os modelos de gestão tradicionais nem sempre estão preparados para acolher de forma eficaz. Apesar do potencial evidente, a integração desses profissionais enfrenta barreiras significativas de comunicação e adaptação social, tornando o processo de onboarding um desafio significativo. A literatura existente, embora aborde estratégias de acomodação e programas de contratação, deixa uma lacuna expressiva: a ausência de um processo de integração contínuo e estruturado, especialmente adaptado para equipes ágeis. Os processos de onboarding genéricos falham em fornecer o suporte necessário, resultando em desengajamento e alta rotatividade, o que evidencia um problema sistêmico na retenção de talentos de profissionais com autismo. Para mitigar esta lacuna, o presente projeto de pesquisa visa facilitar o onboarding e a integração inclusiva de engenheiros de software com autismo. Para isso, pretende-se estabelecer uma abordagem de onboarding inclusivo que visa combinar um conjunto de dinâmicas práticas e direcionadas com um contexto de aprendizagem baseada em projetos, utilizando a metodologia Scrum como alicerce para promover a previsibilidade, a rotina e a clareza nas tarefas. A pesquisa é desenvolvida por meio de Pesquisa-Ação, envolvendo um estudo de caso exploratório, e fundamentada por um Mapeamento Sistemático Multivocal. Como resultado principal esperado, a pesquisa pretende disponibilizar um repositório de dinâmicas validadas, aplicáveis e reutilizáveis, consolidadas num modelo de onboarding replicável. Este modelo servirá como um guia prático para gestores e equipes, oferecendo diretrizes claras sobre como criar um ambiente de trabalho genuinamente inclusivo. Espera-se que esta contribuição não apenas melhore as taxas de retenção de profissionais com autismo, mas também promova uma cultura organizacional que respeite a neurodiversidade, permitindo que as empresas potencializem os talentos únicos dos profissionais com autismo e fomentem a inovação por meio de equipes mais diversas.
Coordenadora: Maria Istela Cagnin Machado