Aluno de Doutorado da Facom conquista vaga de pesquisador da Embrapa
O aluno do curso de Doutorado em Ciência da Computação da Faculdade de Computação (Facom), egresso do mestrado (PPGCC/Facom) e Bacharelado em Ciência da Computação (Facom) conquistou uma vaga de pesquisador na subárea em Ciência de Dados, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Mário de Araújo Carvalho foi aprovado na vaga reservada para Pessoas Pretas e Pardas (PPP) no Concurso Público da Embrapa, de 2024, que contou com cinco etapas: prova objetiva (110 questões), prova discursiva, Defesa pública de memorial, apresentação de projeto de pesquisa e por último de avaliação de títulos.
O mais novo pesquisador, de 29 anos de idade, deve assumir a vaga na Embrapa Pecuária Sul, localizada em Bagé, Rio Grande do Sul, no próximo mês. “A Facom foi absolutamente fundamental. Ela me deu mentores, laboratórios e, principalmente, uma mentalidade científica. Foi lá que aprendi que pesquisa de ponta não precisa ficar restrita ao laboratório, que ela pode e deve chegar ao campo, às mãos de quem realmente precisa dela”, destacou Mário.
Formação na Facom
Conforme o aluno, a formação na Facom foi decisiva para conquistar uma vaga no concurso público. “A Facom foi, sem nenhum exagero, o lugar onde eu deixei de ser um estudante apaixonado por tecnologia e me tornei, de fato, um pesquisador. Se o ensino técnico me deu os fundamentos práticos, foi na Faculdade de Computação da UFMS que eu encontrei o ambiente, os professores e o incentivo para transformar esse conhecimento em ciência de verdade. Cheguei à graduação em Ciência da Computação em 2016 e logo fui acolhido por uma cultura que estimula o aluno a pesquisar desde cedo. Foi essa cultura que me levou a uma bolsa de iniciação científica do CNPq, ainda na graduação, já com o foco em visão computacional aplicada a desafios ambientais. Meu trabalho de Conclusão de Curso, sobre a classificação de espécies arbóreas do Cerrado Brasileiro em dispositivos móveis, nasceu ali e mais tarde se tornou uma publicação em um periódico internacional de alto impacto. Tudo isso aconteceu porque a Facom nunca tratou a graduação como um fim em si mesma: ela me mostrou que eu poderia ir além”, ressaltou.
O estudante destaca que todo o aprendizado na Facom contribuiu para a apresentação do projeto de pesquisa (4ª etapa do concurso público da Embrapa). “Contribuíram de maneira decisiva. Eu diria, com toda a sinceridade, que o projeto de pesquisa que eu defendi diante da banca da Embrapa nasceu, cresceu e foi validado inteiramente dentro da Facom. Cada etapa da minha pós-graduação foi um degrau direto para aquela apresentação. O tema que apresentei à banca como pré-projeto foi justamente o que já estudo durante o meu doutorado. Fiz pouquíssimos ajustes no tema central de pesquisa que enviei, e minha nota foi excelente: tirei 9,16 de 10”.

Trilha, Mestrado e Doutorado
Mário de Araújo Carvalho lembrou que a caminhada de estudos começou antes mesmo do mestrado, com a participação na Trilha Graduação-Mestrado (2020) e já no Mestrado (2021-2023), como bolsista da Capes, a dissertação ‘Deep Learning Approaches to Segment Eucalyptus Tree Images’, levou da classificação de imagens para a segmentação semântica, uma técnica mais sofisticada e essencial para aplicações como mapeamento de cultivos e fenotipagem de plantas. “Foi nesse período que deixei de ser apenas um usuário de modelos de inteligência artificial e passei a ser alguém capaz de criar e otimizar arquiteturas para problemas específicos do setor agrossilvopastoril”.
No doutorado (2023-atual), também com bolsa da Capes, o aluno disse que chegou ao coração da proposta que apresentou no concurso. “Minha tese em andamento ‘Deep Active Learning for Precision Agriculture: A Computational Approach’ ataca um dos maiores gargalos para a adoção da IA na agricultura: o custo altíssimo de anotar grandes volumes de dados. Os resultados que levei à banca vieram da minha qualificação de doutorado. Esse foi exatamente o pilar que sustentou minha proposta para a Embrapa, voltada a desafios como o manejo de plantas daninhas e a recuperação de pastagens degradadas”, informou.

